terça-feira, 18 de agosto de 2020

Estresse da pandemia leva ao aumento da queda de cabelo.

Foto: R7.

A queda de cabelo, chamada de eflúvio telógeno agudo, aumentou no período de quarentena, afirma a dermatologista Fabiane Brenner, assessora do departamento de cabelos e unhas da SBD (Sociedade Brasileira de Dermatologia). Esse tipo de queda acontece quando a queda natural dos fios se sincroniza.

“Nosso cabelo cai naturalmente. O ciclo de vida de um fio é de mais ou menos mil dias. Então o fio cresce, fica três meses em repouso e aí ele cai e vem outro no lugar para substituir, mas normalmente isso acontece de maneira assincrônica. Enquanto um cai, já tem outros com tempo de vida diferente e a gente não percebe mudança no volume.”
Quando a pessoa passa por um estresse muito grande, seja emocional ou orgânico, como doenças, mudanças na alimentação, mudanças no sono, inserção ou mudança na dose de medicações, esse estresse pode gerar um gatilho para que o ciclo dos fios se sincronize.

“Dois ou três meses depois do gatilho, os fios começam a cair. Em uma situação normal, caem aproximadamente 100 fios por dia. Quando temos o eflúvio telógeno agudo, podem cair de 500 a 1.000 fios por dia. A pessoa assusta mesmo.”

Caso a pessoa não possua outros problemas de saúde, fios novos nascerão no lugar dos fios que caíram, porém o fio cresce aproximadamente 1 cm por mês. “Vai demorar cerca de um ano para você perceber esse volume no rabo de cavalo.”
O tratamento pode ser feito com estimulantes de crescimento e espera. “A gente também tenta descobrir com o paciente qual a causa para minimizar os efeitos, então se a pessoa me fala ‘minha alimentação mudou na quarentena’, podemos corrigir isso para ajudar com o eflúvio.”
Fabiane conta que o aumento do eflúvio elevou os diagnósticos precoces de calvície. “A calvície é uma doença hereditária progressiva, ela começa na adolescência, a densidade do cabelo vai diminuindo e a espessura dos fios também.”

A médica explica que 50% da população possui essa doença, distribuída igualmente entre homens e mulheres. “O engraçado é que ela se manifesta de maneira diferente. Nos homens, primeiro aparecem as entradas e depois forma aquela coroa de cabelo. Nas mulheres, começa na parte central do couro cabeludo, isso facilita com que elas escondam, mas também dificulta o diagnóstico.”
Segundo a dermatologista, quanto mais cedo for feito o diagnóstico, melhores resultados são obtidos no tratamento, que é feito com bloqueadores hormonais e estimulantes de crescimento. “Se faz o diagnóstico precoce, é possível conseguir manter a densidade do cabelo do paciente.”

Uma outra situação comum que pode ocorrer o eflúvio é no pós-parto. “Durante a gestação, nós temos uma produção de hormônio que protege os fios, normalmente nosso cabelo fica lindo, cheio, volumoso, nesse período. Porém, depois do estresse físico e emocional do parto e do pós-parto, pode acontecer o eflúvio.”
A médica explica que incidência de eflúvio telógeno agudo é semelhante para homens e mulheres, porém ele é mais percebido pelas mulheres. “Por conta do comprimento do cabelo e da maior cobrança que as mulheres têm em relação ao cabelo, elas acabam percebendo antes que os homens, que muitas vezes nem percebem.”

Fabiane também percebeu que a quarentena fez com que muitos dos seus pacientes assumissem os fios brancos e parassem de tingir. “Desde que com todos os cuidados, é seguro tingir em casa, mas muitos estão assumindo os brancos, o que melhora muito a saúde do fio.”
Segundo a médica, o principal risco de fazer coloração ou descoloração em casa é o corte químico. “Se você se distrair e deixar o produto mais tempo que o necessário nos fios, você pode ter um rompimento da haste do fio, que é a parte que fica para fora do couro cabeludo. A descoloração é o processo mais danoso nesse sentido e que apresenta mais risco.”

Outro risco é que o produto cause alergia, onde o couro fica vermelho, descamativo e coçando. Os sinais podem aparecer até duas semanas após a aplicação do produto e persistir por até dois meses.

“Sempre que for usar um produto novo, de uma outra marca que você nunca utilizou ou com uma formulação diferente, é necessário fazer o teste.”

R7

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